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há muito a detectar as falhas, de uma vida que deveria ter sido perfeita, tal como um tricôt para bebé, começou a desmanchar a esperança com a garra de uma lya luft
muitos nós. sim, demasiados nós - pensou
e iniciou o enovelar com fervor de crente
dobava o emaranhado da vida
mas já era tarde, a luz apagara-se
ainda tacteou mas, na escuridão, perdera o fio das ideias
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sábado, 11 de outubro de 2014
sexta-feira, 3 de outubro de 2014
enClave de Sol
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hoje, lembrei-me das cegonhas, apesar de não ser primavera
costumava fotografá-las lá para o sul, no alto dos pedestais alheios
imponentes, elegantes e vestidas num preto e branco a rigor
costumava fotografá-las lá para o sul, no alto dos pedestais alheios
imponentes, elegantes e vestidas num preto e branco a rigor
em criança diziam-me que eu tinha vindo de Paris, numa cegonha
e eu, acreditava –era inocente, acreditava em tudo, até no Pai Natal
e eu, acreditava –era inocente, acreditava em tudo, até no Pai Natal
por muitos, a cegonha foi sempre considerada uma ave de bom augúrio e em alguns países ainda prevalece a crença de que uma criança concebida com amor era sempre trazida, com toda a perícia por esta ave
hoje, hoje não é primavera, mas brindo aos avós, aos pais, aos tios, aos primos e a todos os rebentos que hão de vir
sexta-feira, 26 de setembro de 2014
entre a insónia e a partida
remeto-me ao silêncio
do toque
no teu corpo
(quero colocar a cabeça no teu peito
e saber que vou dormir)
mudo de canal
, recolho-te na minha visão
e fico Princesa protegida
sobre a água
- és o meu Keiser, meu Herren
o meu Golden ring reflecte a luz da manhã
chegou a hora da partidaos sinos pararam de tocar
, e
não sabendo se te ia ficar
, abraço-te
como se nos partíssemos a meio
____________________________________________e apenas íamos
sábado, 20 de setembro de 2014
silêncios
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quero esquecer os silêncios das folhas de inverno, em tarde de Outono dos dias perfeitos.
deveria ser proibido haver falhas em dias perfeitos - pensou ela
quando o silêncio interrompeu o barulho, as folhas voaram.
em cada passo voava uma folha, com se de um livro fosse arrancada.
os barcos, inertes, não acreditavam no que viam e a água também ficou calada.
três mil quinhentos e noventa se sete passos, desde que o silêncio interrompeu o barulho.
o silêncio não pensa na falta de tempo.
o silêncio nunca pensa na falta de tempo, tem todos os livros que quer para arrancar as folhas, claro.
alheio, o sol bate nas costas.
o corpo inchado, caminha.
ainda tentou agarrar o instante daquela noite de inverno, naquele sitio.
mas o instante voou.
agora só havia o silêncio.
- agora acabo de gostar menos de ti, disse ele
sexta-feira, 12 de setembro de 2014
incongruências
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que seria de mim sem a laurindinha?
bom, quando ela e o marido decidiram mudar de vida, tentando a sorte com a abertura de um café, optei por levar a roupa para a lavandaria, onde era engomada ao peso. para as limpezas optara por uma empregada à qual nunca dei a chave de casa.
o negócio do café correu mal e a laurindinha voltou para a sua patroa preferida, dizia ela, tendo sido aceite com agrado.
é certo que já faz parte da mobília mas, em dias como o de hoje, estando ambas em casa, continuo a sentir-me uma estrangeira ameaçada com uma brigada-de-fronteira escorraçando-me de um território que julgo meu, com o frenesim daquele aparelho que sorve todas as partículas do chão.
chego a temer que me expulse de casa e fico em dúvida se é até com algum gozo que me faz saltitar de divisão para divisão.
no final, além de lhe pagar, ainda digo até amanhã.
que seria de mim sem a laurindinha?
bom, quando ela e o marido decidiram mudar de vida, tentando a sorte com a abertura de um café, optei por levar a roupa para a lavandaria, onde era engomada ao peso. para as limpezas optara por uma empregada à qual nunca dei a chave de casa.
o negócio do café correu mal e a laurindinha voltou para a sua patroa preferida, dizia ela, tendo sido aceite com agrado.
é certo que já faz parte da mobília mas, em dias como o de hoje, estando ambas em casa, continuo a sentir-me uma estrangeira ameaçada com uma brigada-de-fronteira escorraçando-me de um território que julgo meu, com o frenesim daquele aparelho que sorve todas as partículas do chão.
chego a temer que me expulse de casa e fico em dúvida se é até com algum gozo que me faz saltitar de divisão para divisão.
no final, além de lhe pagar, ainda digo até amanhã.
segunda-feira, 8 de setembro de 2014
antes do dia seguinte
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às primeiras horas da manhã, acordava com o galo da vizinha (todo-o-dia como o cotidiano do Chico).
pôs termo a esse despertador seguindo a receita do cunhado.
a sobremesa foi break opera pie.
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às primeiras horas da manhã, acordava com o galo da vizinha (todo-o-dia como o cotidiano do Chico).
pôs termo a esse despertador seguindo a receita do cunhado.
a sobremesa foi break opera pie.
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mini-contos
quarta-feira, 3 de setembro de 2014
quarta-feira, 27 de agosto de 2014
sábado, 2 de agosto de 2014
sexta-feira, 25 de julho de 2014
terça-feira, 8 de julho de 2014
ANomalias
-
ontem
, quando o tempo era amanhã
, os corpos abriam-se aos céus para a pele saborear as chuvas
hoje
, resta a lua esmagada na boca, fingida de algodão doce
que fiz eu?
que não fiz?
tão pouco
tudo
agora tudo é atropelo, é tarde
muito tarde para mim
porque os meus anos têm o sono da
part
____ida
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ontem
, quando o tempo era amanhã
, os corpos abriam-se aos céus para a pele saborear as chuvas
hoje
, resta a lua esmagada na boca, fingida de algodão doce
que fiz eu?
que não fiz?
tão pouco
tudo
agora tudo é atropelo, é tarde
muito tarde para mim
porque os meus anos têm o sono da
part
____ida
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domingo, 6 de julho de 2014
a vontade NUa, depois
-
a terra na boca e a ausência do palato são como as ruas desertas
__________________________inertes
sem sol ou chuva
- apenas paredes
não há árvores ou pássaros
o corvo é apenas um reflexo na lâmina
e inventam-se ruídos onde tudo é surdez
apenas o apetite animal ecoa nas paredes da dor
a terra na boca e a ausência do palato são como as ruas desertas
__________________________inertes
sem sol ou chuva
- apenas paredes
não há árvores ou pássaros
o corvo é apenas um reflexo na lâmina
e inventam-se ruídos onde tudo é surdez
apenas o apetite animal ecoa nas paredes da dor
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quinta-feira, 26 de junho de 2014
sombras
-
e se te devolver o som à boca, soltas aos meus ouvidos o som das tuas palavras?
passarás a respirar ao ritmo mil-i-metrica-Mente certo de um compasso musical?
olharás uma tela de um simples carvão com a mesma intensidade que se admira uma ronda nocturna de um Rembrant?
- até nas sombras existe beleza
passarás a respirar ao ritmo mil-i-metrica-Mente certo de um compasso musical?
olharás uma tela de um simples carvão com a mesma intensidade que se admira uma ronda nocturna de um Rembrant?
- até nas sombras existe beleza
nos botecos esgrimimos a vida
dissecamos o silêncio com o gume afiado
vomitamos o avesso em florete-sabre-espada
em liberum voluntatis arbitrium
dissecamos o silêncio com o gume afiado
vomitamos o avesso em florete-sabre-espada
em liberum voluntatis arbitrium
ser escritora é costurar as letras leves em alinhavos, as sangrentas em ponto de cruz, as apaixonadas em bordado e as outras - essas tais que andam à pressa
, em ponto corrido
, em ponto corrido
quarta-feira, 25 de junho de 2014
etrangeté metropolitaine
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na porta que abre
na porta que fecha
da gente que sai
da gente que entra
_______________mudam os odores
dos corpos, das roupas
cheira a bafio, Kenzo
e a rissóis de camarão
as bocas caladas emitem tanto som como as outras
a troco da música
perdem-se histórias
(as melhores são mesmo as da gente da Afurada)
e
todos ficam iguais
como que envolvidos em panos de Magritte
todos, todos iguais-menos o bicho do buraco
na porta que abre
na porta que fecha
da gente que sai
da gente que entra
_______________mudam os odores
dos corpos, das roupas
cheira a bafio, Kenzo
e a rissóis de camarão
as bocas caladas emitem tanto som como as outras
a troco da música
perdem-se histórias
(as melhores são mesmo as da gente da Afurada)
e
todos ficam iguais
como que envolvidos em panos de Magritte
todos, todos iguais-menos o bicho do buraco
terça-feira, 24 de junho de 2014
segunda-feira, 23 de junho de 2014
dos muros descarnados
-
dos muros descarnados
nu
canto da boca
ecoa o grito
------------------ < reflexo
----------------- < sussurro
~~arco-íris azul~~
a dor deixou as paredes
- outrora virgens veludos
em carne viva
___________quase morta
plangente
moribunda
gastas do salitre das lágrimas
pelo chão
_______ quase
nu
a luva de renda
o pendente de cristal barato
a liga
o enfeite
______________________________ ________ a vida é tão complicada/mente simples
dos muros descarnados
nu
canto da boca
ecoa o grito
------------------ < reflexo
----------------- < sussurro
~~arco-íris azul~~
a dor deixou as paredes
- outrora virgens veludos
em carne viva
___________quase morta
plangente
moribunda
gastas do salitre das lágrimas
pelo chão
_______ quase
nu
a luva de renda
o pendente de cristal barato
a liga
o enfeite
______________________________
quarta-feira, 23 de abril de 2014
quinta-feira, 10 de abril de 2014
ausência
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Quando eu não puder vir
Mais a este espaço
Quando as minhas mãos
já não puderem aguentar
Levar minhas crocks
Junto com meu ‘m dia
minha pass de choco
Entrego a quem mereça usar
Mais a este espaço
Quando as minhas mãos
já não puderem aguentar
Levar minhas crocks
Junto com meu ‘m dia
minha pass de choco
Entrego a quem mereça usar
Não deixe pasárgada morrer
Não deixe pasárgada acabar
pasárgada é feita de loucos
e de riso pr ‘abandalhar
Não deixe pasárgada acabar
pasárgada é feita de loucos
e de riso pr ‘abandalhar
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